A contracepção: uma escolha responsável

Alessandra Quedi 16 de junho de 2008 0

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A função reprodutora, base da sexualidade desde um ponto de vista biológico, não se concebe actualmente sem uma racionali­zação e adaptação à situação e às necessi­dades do casal. Existem vários motivos para fundamentar este critério. O primeiro e principal é a liberdade do indivíduo e do casal de poder decidir o número de filhos e o momento oportuno para tê-los. São apre­sentados igualmente motivos de índole médica que também se consideram básicos quando se decide sobre o número de filhos que se pretendem ou se podem ter e quando é o momento mais indicado.
Temos de rever vários conceitos em relação à reprodução. Na declaração dos Direitos Humanos, datada de 1948, já se fala dos direitos das pessoas e das famílias em relação à reprodução. Desta deduz-se posteriormente o conceito de planificação familiar, que consiste na adopção voluntária de práticas que, através do espacejamento das gravidezes e a finalização da procriação a uma idade relativamente jovem, consigam melhorar a saúde materna e infantil, adequando o número de elementos da família cada situação e a escolha do momento ideal para a gravidez.
Esta postura ratificou-se na Conferência Mundial do Ano da População, celebrada em Bucareste em 1974, em cujas conclusões se pode ler: “Todos os casais e indivíduos têm o direito básico de decidir livre e responsavelmente sobre o número de filhos que desejam ter e com que intervalos, assim como dispor da informação e educação adequada e dos meios necessários para consegui-lo”.
No exercício destes direitos humanos, os casais e os indivíduos devem ter em conta as necessidades dos seus filhos presentes e futuros, assim como as suas responsabili­dades perante a comunidade. De qualquer maneira, do ponto de vista da mãe e do filho, os conhecimentos médicos actuais induziram instituições oficiais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) a fazer públicas umas recomendações bási­cas com a finalidade de que a gravidez seja a mais adequada para a saúde. Estas são:
–> O início das gravidezes depois dos 18 anos.
–> Intervalo entre duas gestações de pelo menos dois ou três anos.
–> Não ultrapassar por casal um total de quatro partos.
–> Evitar a gravidez depois dos 35 anos.
–> Utilizar métodos de contracepção defi­nitivos depois de ter constituído a família desejada.

Estas recomendações vêm dadas como consequência do risco das gravidezes não controladas a distintas idades, que fazem ­ com que aumente muito a mortalidade materna e infantil e as lesões irreversíveis do recém-nascido. Assim, a mortalidade infantil incrementa-se ao aumentar o número de gravidezes anteriores, ao dimi­nuir o intervalo entre duas gravidezes e ao aumentar a idade materna.
Complica-se ainda mais quando se combina com doença da mãe. A mortalidade infantil pode ir de nove a quarenta por mil nascidos vivos segundo se considere o momento do parto aos vinte ou aos quarenta e cinco anos. Por outra parte, há que considerar o risco de malformações fetais, que para as idades maternas citadas anteriormente vão de 16 a 25 por mil. Concretamente, a síndroma de Down (mongolismo) vai de 1/2000 aos vinte anos, a 1/40 aos 45. A multiparidade afecta também as atenções maternas e o bom desenvolvimento da criança, coisa que se põe em evidência a partir do quarto filho. Devemos, então, procurar o método mais adequado para cada situação segundo as necessidades de cada momento e circunstância.
A escolha de um método contraceptivo
Os requisitos que deve cumprir um méto­do contraceptivo para ser aceite são: que seja barato, inócuo, prático e principal­ mente eficaz. Evidentemente, como é difí­cil reunir todas estas condições simultaneamente, optar-se-á por aquele que apre­ sente mais vantagens que desvantagens para cada situação determinada. Na escolha de um ou outro método contracep­tivo deverão participar tanto o médico como o casal, já que este tem de escolher entre os mais adequados para o momento em questão, dependendo, fundamental­ mente da importância que possa supor uma falha com o método.
Para isso, devemos ter em conta a idade, o número de filhos, se existe alguma pato­logia ou doença em algum dos membros do casal que desaconselhe uma gravidez, se o casal deseja a contracepção para um período curto de tempo ou se deve ser defi­nitiva. Uma vez avaliados todos estes fac­tores, escolher-se-á um dos métodos de que se dispõe actualmente. Alguns, como quase todos os naturais ou de barreira, não necessitam mais participação médica para além da informação prestada aos usuários; outros, ou exigem a participação médico­ -cirúrgica ou, como mínimo, supervisão e controlo médico.
Os adolescentes e a anti-contracepção
A adolescência é o período de desenvolvimento físico mais rápido, o momento da maturação sexual, da criação de uma auto-imaginação duradoira, de definição da escala de valores pessoais, de interesses e vocações. Talvez a área que recebe mais atenção por parte do adolescente seja a sexualidade. E, já que muitos adultos – tanto pais como educadores e pessoal sanitário – consideram que as relações sexuais entre adolescentes são inaceitáveis por razões morais, religiosas, psicológicas ou médicas, o facto é que os adolescentes começam a ser sexualmente activos cada vez mais cedo. E o mais preocupante: a maioria não toma nenhum tipo de precaução contraceptiva ou fazem-no só em algumas ocasiões.
Qualquer adolescente – rapaz ou rapariga – deveria saber que, para eliminar o ris­co de uma gravidez não desejada, o único método infalível é a castidade ou a abstinência. Mas como dificilmente o/a adolescente optará pela castidade de for­ ma pensada e consciente, é tarefa dos adultos pôr ao seu alcance a informação e o acesso aos métodos contraceptivos. Mas isso parece não ser suficiente: há que explicar-lhes que, uma vez escolhido um método contraceptivo, este deve ser usado de maneira contínua e sempre que se tenham relações sexuais completas.

Fonte: Site StreS’sNet

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