Menopausa: mulheres à beira de um ataque de nervos

Alessandra Quedi 15 de junho de 2008 4
phpJd1jZR
Menopausa: a sexualidade e a natureza feminina
É uma mudança na vida das mulheres, mas está muito longe de ser um acontecimento único: a menopausa constitui uma sucessão de manifestações que vão desembocar na cessação da ovulação e, com ela, no final da fertilidade feminina.
Esta é, aliás, a única realidade comum a todas as mulheres porquanto, no demais, trata-se de uma vivência marcada pela diferença e pela individualidade dos sintomas e das consequências, sejam elas físicas ou emocionais. É só quando transcorre um ano consecutivo sem menstruação que se atinge a menopausa. Para umas mulheres o caminho que conduz a este fenómeno começa pelos 40, para outras só chega aos 50 ou aos 60.
Pode também iniciar-se mais precocemente, com a terceira década de vida em curso. Em regra, porém, ocorre entre os 45 e os 55 anos. A irregularidade dos períodos menstruais é, desde logo, o factor que, se associado à ida­ de, anuncia a menopausa. É comum que as regras sofram alterações na sua intensidade, tornando-se mais ligeiras ou mais intensas, o que acontece gradualmente até, finalmente, cessarem. No entanto, pode acontecer que o fim da menstruação seja súbito, sem aviso prévio. Trata-se de uma consequência das flutuações ovulatórias: os níveis de estrogénios entram em declínio, os ovários deixam de produzir óvulos e, em consequência, a fertilidade vai diminuindo. Isto não significa, porém, que não haja possibilidade de engravidar: há que esperar um ano consecutivo sem período. Até lá, uma gravidez continua a ser possível, ainda que menos provável.
Com os níveis de estrogénios em queda emerge outro dos sintomas comuns da menopausa, porventura o que mais incómodo causa: os afrontamentos. São vagas de calor ascendentes, que começam no peito e avançam em direcção à cabeça. Devem-se a uma expansão mais rápida dos vasos sanguíneos em resultado do que a temperatura da pele aumenta. O rosto fica avermelhado, como se escaldasse, e manchas vermelhas podem surgir no peito, no pescoço e nos braços. Duram, normalmente, entre 30 segundos a alguns minutos, mas a frequência e a duração dos afrontamentos variam de mulher para mulher. Tanto podem ocorrer de hora a hora como nem sequer se manifestarem.

Quando estão presentes, podem ter como consequência os suores nocturnos. A mulher acorda encharcada e sentindo arrepios, após o que é frequente ter dificuldade em adormecer ou em atingir o sono profundo. Estas irregularidades no sono estão, muitas vezes, na origem de alterações no humor, além de poderem afectar a saúde em geral. Ainda como resultado da menor produção hormonal, são comuns as alterações vaginais e urinárias. Os tecidos que revestem a vagina e a uretra – o canal que conduz à bexiga – ficam mais secos, mais finos e perdem elasticidade. A esta menor lubrificação andam associadas sensações de prurido e ardor, bem como um risco acrescido de infecções. Além disso, a prática de relações sexuais pode tornar-se desconfortável e até causar dor. A vontade de urinar pode ser mais frequente ou urgente, abrindo caminho à incontinência urinária. Mais visíveis são as alterações na aparência, decorrentes do ganho de peso. Não é uma inevitabilidade, mas é comum nas mulheres menopáusicas. A gordura tradicionalmente concentrada nas ancas e nas coxas transfere-se para a região abdominal, evidenciando-se na cintura. Ao mesmo tempo, as mamas perdem densidade, os cabelos ficam mais finos e as rugas mais acentuadas.
São sintomas suficientemente perturbadores para justificarem as alterações emocionais relacionadas com a menopausa: a irritabilidade é a face mais notória desse estado de espírito num corpo a braços com a mudança. Ao mesmo tempo, podem emergir alterações cognitivas como falhas na memória ou dificuldade de concentração.
Menopausa – principais problemas: sinais de mudança
Cada mulher vive a menopausa de uma forma diferente. Algumas atravessam esta fase de mudança praticamente sem sintomas, enquanto outras a vivem de uma forma muito conturbada. Entre as alterações físicas e emocionais previsíveis as mais comuns são: Períodos menstruais irregulares – Tanto podem parar subitamente como tornar-se gradualmente mais ligeiros ou mais intensos para só então cessarem.
–>Decréscimo na fertilidade – Quando a ovulação começa a oscilar, as probabilidades de engravidar diminuem: mas, até que se passe um ano consecutivo sem período, uma gravidez contínua é possível.
–>Alterações vaginais e urinárias – O declínio nos níveis de estrogénios faz com que os tecidos que revestem a vagina e a uretra – o canal que liga à bexiga – fiquem mais secos, mais finos e menos elásticos. Aumenta, com isso, o risco de uma infecção vaginal ou urinária, podendo ocorrer incontinência urinária ou uma vontade de urinar com mais frequência ou urgência. É também comum que as relações sexuais se tornem desconfortáveis ou mesmo dolorosas.
–>Afrontamentos – Quando os níveis de estrogénios baixam, os vasos sanguíneos expandem-se mais rapidamente e a temperatura da pele sobe, o que dá origem a uma sensação de calor ascendente – do peito à cabeça. O aumento da temperatura faz também suar, o que pode desencadear calafrios e uma sensação de fraqueza e até desmaio.
–>Perturbações do sono – Traduzem-se em dificuldade em adormecer ou em alcançar um sono profundo, por vezes em consequência dos suores nocturnos. A falta de sono pode afectar a disposição e a saúde em geral.
–>Alterações na aparência – É comum algum ganho de peso com a menopausa, com a gordura tradicionalmente depositada nas ancas e coxas a transferir-se para a cintura. Ao mesmo tempo, as mamas ficam menos densas, os cabelos mais finos e as rugas mais acentuadas.
–>Mudanças emocionais e cognitivas – Irritabilidade, fadiga, falhas na memória e uma menor concentração são previsíveis, o que se deve à flutuação hormonal mas também à fraca qualidade do sono.

Obs: Na figura (em baixo) – Os principais problemas resultantes da menopausa

Um destino biológico
É quando os ovários começam a produzir menos estrogénio e progesterona – as hormonas femininas por definição – que se inicia a menopausa. Ao longo da vida reprodutiva da mulher são estas hormonas que regulam os ciclos mensais – de ovulação e menstruação, interrompidos perante uma gravidez.
Quando os 30 anos já vão avançados a quantidade de progesterona sofre um primeiro decréscimo, o que implica uma menor probabilidade de os óvulos então existentes serem fecundados. A prazo, os períodos menstruais cessam e essa probabilidade é reduzida a zero. Mas este é um processo que se prolonga por vários anos, de tal modo que se consideram duas fases distintas: a pré-menopausa ou perimenopausa que tem início quando se dec1aram os primeiros sintomas, ainda que a ovulação se mantenha, e a pós-menopausa, que são os anos seguintes ao ciclo de 12 meses sem menstruação.
Para algumas mulheres, a menopausa chega de uma forma mais abrupta, como consequência de uma cirurgia ou tratamento médico. É o que acontece quando há lugar a rácio ou quimioterapia: são tratamentos oncológicos que podem induzir uma menopausa precoce, com os mesmos sintomas. É o que acontece também quando há lugar à remoção cirúrgica do útero e dos ovários. Quando é apenas removido o útero, o período pode cessar mas os ovários continuam a libertar óvulos, pelo que não se fala em menopausa.
A uma escassa percentagem de mulheres a menopausa ocorre antes dos 40 anos, devido a falência prematura dos ovários. Uma doença auto-imune ou factores genéticos podem determinar esta precocidade, mas com frequência a causa permanece desconhecida. Apesar de ser um fenómeno natural, a menopausa não está isenta de complicações. Algumas situações clínicas são então mais prováveis. É o caso da osteoporose, doença que se caracteriza por perda de densidade óssea, o que deixa os ossos mais frágeis e expostos a uma fractura. Nas mulheres em idade menopáusica, existe um risco acrescido de fracturas da anca, do pulso e da coluna, um risco que é possível minorar com uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D e com a prática de exercício físico. A incontinência urinária é – como já foi mencionado – outro dos riscos, podendo manifestar-se de duas formas: ou uma vontade mais frequente e súbita de urinar ou uma micção desencadeada por reflexos como rir ou tossir. Também já mencionado, o excesso de peso é uma possibilidade a não descurar. Aliás, a simples manutenção do peso pode revelar-se difícil, requerendo uma dieta me­ nos calórica e mais exercício físico.
Ainda entre os riscos há que contar com o de doença cardiovascular: preveni-lo é possível e passa por abandonar hábitos como o tabagismo, por controlar a pressão arterial, pela prática de exercício físico e de uma alimentação equilibrada, em que as gorduras sejam compensadas por fruta e vegetais.
A terapêutica da polémica
Os sintomas da menopausa podem ser muito perturbadores, tornando, por isso, necessária a intervenção médica no sentido de aliviar o seu impacto sobre o bem-estar da mulher. Existem várias terapias disponíveis, mas a mais conhecida – pela polémica que tem envolvido – é a terapêutica hormonal de substituição. Cientistas e médicos dividem-se sobre os seus benefícios e desvantagens, com a escolha a ser equacionada individualmente.
Polémicas à parte, existem alguns cuidados que a própria mulher pode adoptar no sentido de aliviar os sintomas. Para atenuar os efeitos dos afrontamentos, é útil vestir-se em camadas, que se retiram à medida que o calor vai subindo ao rosto. Quanto ao desconforto vaginal, pode ser combatido recorrendo a lubrificantes próprios, disponíveis sob aconselhamento farmacêutico. É igualmente saudável regular o sono, o que se consegue, nomeadamente, evitando as bebidas com cafeína à noite e, se necessário, praticando exercícios de relaxamento respiratório e muscular. Uma alimentação equilibrada – com o indispensável reforço de cálcio e vitamina D – e a prática regular de exercício físico – necessário para prevenir a doença cardiovascular e a osteoporose, por exemplo – não podem faltar neste pacote de cuidados. A menopausa não é uma doença. É uma transição, que marca o fim da fertilidade mas não o da sexualidade. Numa época em que a esperança de vida ronda os 80, são ainda muitos os anos que se vivem em idade pós-menopáusica. Anos para aproveitar com saúde.

Fonte: Site StreS’sNet

4 Comentários »

  1. arlete maria gazzoli 13 de outubro de 2011 at 19:55 - Responder

    Tenho 55 anos notei que fiquei com quatro quilos menos.tenho muita disposição.Pratico exersisio fisico trabalho muito ,mas sinto insonia tenho olho seco e tenho falta de ar a noite.

  2. Joseane. G.S 28 de setembro de 2008 at 21:22 - Responder

    Caros amigos, acho excelente que o público tem acesso a as informações desse artigo sobre a menopausa, articulado pela Mulher Criativa. Entretanto , talvez, eu não tenha percebido a resposta a uma pergunta que me intriga: Nós mulheres que não temos mais o útero, entretanto mantemos os ovários, teremos que tipo de sintomas para sabermos que estamos mesmo na menopausa com algum sintoma de síndrome de pânico? Como diferenciar?

  3. Alessandra Quedi 22 de junho de 2008 at 19:09 - Responder

    Caro Malone, em momento algum coloquei o artigo como de minha autoria, e tb nao mudei seu conteudo para parecer que fosse algo publicado pela Mulher Criativa, o que aconteceu que varias vezes recebo artigos por email e nao tenho a origem do artigo, mas nunca me neguei a informar a autoria de um artigo.

    creio que a palavra correta nao seja TRISTE, pois seu artigo tem seu valor, e por isso foi publicado em outro site, a ideia nao é PLAGIAR um artigo e sim amplicar sua divulgação pois artigos de conteudo com qualidade devem ser difundidos.

    aos visitantes, realmente o artigo é de autoria do StreS’Net http://km-stressnet.blogspot.com/ , o qual divulgo com prazer pois a ideia é divulgar o artigo e nao tomar a autoria de algo que nao é meu ..

    como ja foi explicado no comentario que vc fez no artigo http://www.mulhercriativa.com.br/dicas/dicas-de-saude/contracepcao-intra-uterina-a-definicao-de-contracepcao#comment-135

    novamente me coloca a disposição de TODOS os autores que tem seus artigos publicados aqui e que nao constam as referencias que entre em contato .. nao precisa ser com tamanho stress mas que terei o prazer de colocar as referencia.

    POIS A IDEIA NÃO É PLAGIAR E SIM DIVULGAR.

  4. malone 22 de junho de 2008 at 14:36 - Responder

    É muito triste ver este artigo publicado aqui no seu site como se ele fosse da sua autoria. Devia ter um pouco mais de consideração pelo seu real autor e ter ao menos feito referência ao mesmo. O plágio é uma coisa muito feia e reprovável.
    A todos os leitores deste site quero afirmar que este artigo pertence ao blogue: StreS’sNet.
    Se têm dúvidas, visitem-no e comparem as datas de publicação.

Deixar uma Resposta »